Entre sombras e promessas: Casamento
Entre peso das Promessas
Capítulo 1 – Um casamento por amor
Sandra estava casada há dezessete dias. Seu casamento foi por amor — isso era o que ela pensava. Mas seu esposo raramente estava em casa e, quando estava, não demonstrava interesse em cumprir seu papel de marido.
Sandra trabalhava na empresa dos pais. Por ser a filha mais velha, herdaria a empresa de cosméticos. Não queria estar ali, mas faltavam dois anos para seu irmão assumir a presidência. Enquanto isso, ela se esforçava ao máximo para obter bons resultados. Tudo ia bem na empresa, mesmo não sendo o que ela sonhava. Era dedicada ao trabalho; o que estava se desfazendo era seu casamento.
Aos 27 anos, ainda não tinha tido uma verdadeira noite de núpcias. Não é que não tivessem viajado — sim, viajaram e curtiram quinze dias de lua de mel. Mas ficaram em quartos separados. Ele dava a desculpa de que precisava trabalhar, pois tinha assuntos sérios a resolver; à noite, trancava-se no quarto do hotel, e só se viam pela manhã para os passeios. Ele era educado, simpático e atencioso com ela, mas, à noite, mudava de humor.
Sandra já havia pesquisado diversas coisas na internet para tentar entender o comportamento do “marido”, mas não encontrou respostas coerentes. Pensou em contar à sua psicóloga, que era uma grande amiga desde o tempo de estudos, mas preferiu ficar calada.
Capítulo 2 – Um encontro marcado pelo destino
A família de Sandra conhecia bem a família Tavares; faziam negócios há mais de dez anos. Financeiramente, eram muito próximos. Quando seu pai, Manuel, decidiu que Sandra se casaria, não a forçou. Conversou com ela sobre o rapaz e deixou que saísse com ele para conhecê-lo melhor.
Sandra já tivera namorados antes, mas nunca pensara em casar. Casamento era algo sério, para a vida toda, e, se um dia se casasse, seria por amor. Seu pai sabia dos pensamentos da filha, por isso lhe deu o direito de escolher.
Sandra não disse nem sim nem não, mas queria conhecer o rapaz.
Alexandre Tavares, o filho mais novo — jovem, solteiro, rico e charmoso. Aos trinta anos, estudou e viveu praticamente na França. Era reservado; raramente aparecia acompanhado.
O encontro foi marcado em um restaurante movimentado, em frente à praia.
— Oi, sou Sandra Moreira. Em pleno século vinte e um, nossos pais insistem em encontros às cegas.
Ele apenas a olhou, levantou-se e puxou a cadeira para que ela se sentasse.
— Sandra, ouvi falar muito de você, desde antes de marcarem nosso encontro.
Jantaram. Conversaram. Caminharam na areia.
Terminaram a noite com um “até logo”.
Capítulo 3 – Entre idas e vindas
Depois de quase um ano de encontros em restaurantes, teatros e museus, Sandra decidiu que queria namorar, noivar e casar no tempo certo.
Alexandre viajou duas vezes para a França, em viagens longas, mas falava com ela por mensagens — nunca por videochamada.
Noivaram e, depois de três anos de noivado, casaram-se. Ele nunca a levou ao seu apartamento, sempre dizia que estava em reforma. Quando chegava de viagem, ficava mais em hotéis do que em casa — ou na casa dos pais.
Os beijos e carícias eram poucos.
Capítulo 4 – O casamento do ano
O casamento aconteceu em um sábado de setembro, na primavera. Sandra estava perfeita em seu vestido de noiva; ele, elegante. Fotógrafos por todos os lados. Nas capas de revistas, as fotos deles estampavam o “casamento do ano”.
Alguns diziam que fora um acordo entre as famílias. Mas não era verdade.
A lua de mel durou quinze dias. Sandra achou que finalmente conheceria aquele homem misterioso — mas vieram os quartos separados.
Dias depois, ele viajou para a França e a deixou no Rio de Janeiro, na casa que escolheram em frente à praia.
Capítulo 5 – A cicatriz
Dois meses depois, ele retornou.
— Trouxe um presente para você.
— Presente? Eu quero é a sua presença!
Ele finalmente disse:
— Eu a amo.
Era a primeira vez que ela ouvia aquelas palavras.
Entregaram-se um ao outro. Pela primeira vez, como marido e mulher.
Ainda nus no tapete da sala, Sandra passou a mão pelas costas dele e sentiu um relevo. Ele se levantou rapidamente e foi ao banheiro.
Ela foi atrás, chocada com a cicatriz.
— Alex, o que está havendo? O que é isso nas suas costas?
A porta do banheiro estava trancada. Sandra insistia.
— Não me diga que está envolvido em algo perigoso! Seu pai sabe? Você foi assaltado? Esses dois meses, você estava onde?
Ele abriu a porta e tocou o rosto dela.
— Sou um agente infiltrado. Meu trabalho não permite uma vida a dois. No começo, eu teria apenas alguns encontros com você e depois diria ao meu pai que não daria certo. Mas, quando a vi naquele vestido florido… tudo mudou.
Sandra permanecia imóvel.
— Estavam me observando na lua de mel. Por isso os quartos separados. Por isso nunca a levei ao meu apartamento. Preciso me afastar para protegê-la.
— Nosso casamento é uma estratégia? — perguntou, com a voz trêmula.
Ele a abraçou.
— Não. Você é minha esposa. Jamais a usaria como estratégia.
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