Entre o dever e o amor - Parte 3
Sandra ainda estava desacordada. O clima era de tensão. Havia movimentos ao redor, conversas abafadas, ecos que ela escutava sem conseguir entender.
Acordou com uma enxurrada de água gelada no rosto. O susto foi maior quando viu o sorriso estampado de Aron.
— Sabia que você seria presa fácil. Agora vamos ver se o senhor certinho morde a isca.
Sandra tentou entender. O que significava aquilo? Aron não era apenas um farrista… era invejoso. Tudo começava a fazer sentido.
Ficou ainda mais atordoada ao ver Joana ao lado dele, vestida de preto.
— Eu disse que ela estava sozinha — murmurou Joana. — Ele provavelmente está em missão. Ninguém desconfiará de nós.
— Joana, cale-se. Ela já sabe demais — interrompeu Aron. — Precisamos ser rápidos.
Outras pessoas vestidas de preto entravam pelo corredor. Uma mulher de meia-idade aproximou-se. Sua presença era imponente.
— Era o agente 0018 que deveriam trazer para mim, não essa mulher! Sumam com ela e tragam aquele homem.
— Senhora M., ela é a esposa dele — disse Aron, debochado.
A mulher sorriu lentamente.
— Esposa? Então ele quebrou a regra dos agentes… Excelente. Ela será nossa moeda de troca. Entrem em contato com o agente 0018. Quero vê-lo implorando pela vida dela.
Sandra sentiu o coração apertar. Preferia mil vezes que Alex estivesse com uma amante do que morto por causa dela.
Amarrada, com a boca presa por plástico que machucava seus lábios, decidiu não chorar. Não daria a eles essa satisfação.
Ela o amava. E não permitiria que aquilo terminasse assim.
Capítulo 10 - Base dos Agentes
Alex estava de tocaia havia duas semanas. Nada do atirador.
Foi quando seu tio apareceu.
— Olá, agente 0018.
— Para você, sempre serei Alex.
Abraçaram-se.
— Precisamos voltar ao Brasil. É urgente.
— Sandra? — ele perguntou imediatamente.
— Sim.
Pela primeira vez, o agente 0018 parecia abalado.
— Eles querem você. E ela é o caminho. Mas mantenha a cabeça fria, ou perderá sua esposa.
18h. Final da praia.
Alex chegou sozinho de moto.
Mensagem: “Entre no carro preto.”
Ele entrou.
Foi golpeado.
Quando acordou, estava amarrado.
— Oi, senhor certinho — disse Aron.
— Onde está Sandra?
Joana a trouxe. Ela estava viva.
— Solte-a. Você me quer.
A Senhora M. aproximou-se.
— Você arruinou meus negócios. Agora está de joelhos diante de mim.
Ela ordenou que soltassem Sandra.
— Levem-no ao escritório. Quero que sinta o que eu senti.
Sandra foi levada para a rua deserta. Uma arma foi apontada para ela.
Antes do disparo, Joana caiu desacordada — atingida por um agente.
— Estamos com o agente 0018. Ela está segura.
Sandra tentou explicar:
— Meu marido está lá dentro!
O agente apenas respondeu:
— Tenho pena de quem está com ele. Ele não precisa ser salvo.
Alex fingia estar fraco.
No momento certo, atacou.
Derrubou dois seguranças.
Mas Aron o atingiu na cintura.
Alex caiu.
Sua visão escureceu.
E tudo ficou preto.
Capítulo Final – Entre o Dever e o Amor
Alex estava desacordado nos braços de Aron. O tiro havia atingido sua cintura, e o sangue manchava sua camisa.
De repente, vozes ecoaram pelo prédio:
— Melhor se renderem! Este é um aviso!
Aron reconheceu aquela voz imediatamente.
— Droga… meu tio veio por você.
Vários agentes surgiram nas janelas e entradas do prédio. A luta começou. A Senhora M. já havia se rendido. Alguns homens largaram as armas.
Alex começou a recobrar a consciência. A dor era intensa. Ele tentou se mover.
Sandra… ele só conseguia pensar nela.
Sandra estava dentro de uma van cheia de câmeras. Um drone mostrava a imagem de Aron arrastando Alex.
Ela não pensou duas vezes.
Abriu a porta e saltou.
— Senhora, volte aqui! — gritaram.
— Nem ousem me impedir!
Ela correu até o prédio.
Subiu as escadas sem saber para onde ir, guiada apenas pelos sons.
No segundo andar, ouviu gemidos.
— Alex!
Era ele.
Aron o arrastava pelo corredor.
— Não se mexa! — gritou Aron ao vê-la.
— Aron… pense direito — disse Alex, com dificuldade. — Somos irmãos.
Sandra tentou avançar, mas alguém a segurou.
— Deixe que eu resolvo.
Ferdinando surgiu.
Mesmo com seus sessenta anos, ainda tinha postura de comandante.
— Então é isso? Inveja? — disse ele, firme. — Sua mãe não te ensinou melhor?
— Tio…
Aron abaixou a arma.
Soltou Alex.
Sabia que não tinha saída.
Atrás de Ferdinando surgiram dezenas de agentes de terno preto. Sandra ficou impressionada. Não fazia ideia de que aquele mundo era tão grande — e tão perigoso.
— Levem meu sobrinho para o hospital — ordenou Ferdinando.
Aron foi detido sem resistência.
Sandra desabou quando viu Alex na maca.
A bala não havia atingido nenhum órgão vital. Ele ficaria bem.
Foram quinze dias de internação.
Quinze dias em que Sandra não saiu do lado dele.
Mesmo quando Alex insistia:
— Vá descansar…
Ela apenas respondia:
— Eu descanso quando você estiver em casa.
No dia da alta, Ferdinando os esperava.
— Você não volta ao campo tão cedo — disse ao sobrinho. — Vai para a área administrativa. Hora de viver sua vida.
— Tio…
— Não é discussão. Você já fez demais.
Alex entendeu.
Talvez, pela primeira vez, pudesse escolher o amor sem abandonar completamente o dever.
Ao chegarem, Alex deixou a mala no chão e olhou a sala bagunçada.
— Eu estava procurando provas — confessou Sandra.
Ele sorriu.
— E encontrou?
— Não.
Ele a puxou pela cintura.
— Ainda bem.
Ela encostou a testa na dele.
— Você me deve muitas explicações, senhor agente 0018.
— E você me deve confiar um pouco mais.
Ela sorriu.
— Só se você prometer não esconder câmeras pela casa.
Ele riu baixo.
— Prometo.
Alex a abraçou com cuidado, respeitando o ferimento.
— Te amo, minha Sandra.
Ela segurou seu rosto.
— Entre o dever e o amor… escolha sempre o amor.
Ele a beijou lentamente.
Sem pressa.
Sem medo.
Porque, daquela vez, ele estava ali.
Presente.
E juntos.
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