Quando o Mar Nos Uniu


Abertura
Alguns encontros acontecem por acaso.
Outros parecem ter sido escritos pelo destino muito antes de acontecerem.
Entre a correria do trabalho, os quilômetros de distância e as escolhas que fazemos ao longo da vida, existem momentos que mudam tudo. Às vezes, eles começam de forma simples — um olhar, uma conversa inesperada ou até mesmo uma onda do mar.
Camille nunca acreditou muito em coincidências românticas. Sempre foi prática, organizada e cuidadosa com seus sentimentos.
André Martins, por outro lado, acreditava que a vida precisava ser vivida sem tantos cálculos.
Nenhum dos dois imaginava que um encontro em uma praia do Rio de Janeiro, em pleno Carnaval, mudaria completamente o rumo de suas vidas.
Porque, às vezes, basta uma onda para virar o destino de alguém.

Capítulo 1
A onda


Sentir sua falta!
— dizia Camille, sentada no colo de André Martins.
Ele estava com roupa casual. Tinham combinado de sair para curtir a noite de sábado, depois de uma semana intensa de trabalho.
Camille Castanha o abraçava. Eles só se viam nos fins de semana. Ele trabalhava em São Paulo; ela, no interior do Rio de Janeiro. Os sábados, domingos e feriados eram dedicados a curtirem juntos, já que não conseguiam se ver durante a semana.
Fazia seis meses que se conheceram na praia da Barra, no Rio de Janeiro, durante o Carnaval.
André estava com os amigos no Rio para curtir o Carnaval e, durante uma das saídas deles para a praia, conheceram o quarteto: Camille, Faby, Giulia e Helena.
As inseparáveis.
Giulia, a “líder” do grupo e a mais velha, investiu como cupido. Camille sempre foi focada no trabalho e nos estudos. Era difícil sair para curtir e, quanto a namorados, ainda estava marcada pelo primeiro amor da faculdade.
Ela não era daquelas pessoas que chegavam primeiro. Preferia esperar a investida romântica. Segura de si, antes de se relacionar, fazia anotações mentais dos prós e contras.
As meninas combinaram de ir à praia cedo, já que ela estaria lotada. Mas Faby demorava para decidir qual biquíni usaria e qual combinaria com sua bolsa.
Saíram do apartamento de Helena já eram dez da manhã.
Foram de Uber. Mesmo Helena e Giulia tendo carro, acharam que seria mais vantajoso.
A praia já estava cheia. Um sol maravilhoso, o tempo perfeito.
Levaram seus equipamentos de praia: guarda-sol, cangas e cadeiras. Também uma bolsa térmica com lanches. Cada uma levou suas guloseimas.
Camille e Faby foram para a água, enquanto Giulia e Helena ficaram tomando sol.
No mar estavam Martins, surfista e bem atlético, com seu amigo Kauan. Rafael estava sentado embaixo do guarda-sol.
Os três eram amigos de infância e estavam sempre juntos.
Vieram ao Rio porque os tios de Rafael, o casal Munhoz, estavam de férias e queriam conhecer a cidade, além de assistir aos desfiles das escolas de samba.
Os rapazes aproveitaram e vieram junto.
Estavam hospedados em um hotel com os tios de Rafael, ali mesmo na Barra da Tijuca.
Kauan era personal trainer. Rafael trabalhava na empresa dos Munhoz. Já Martins trabalhava em seu restaurante em São Paulo: Sapore di Pasta Paulista.
Ele se especializou na culinária italiana, prato principal do seu restaurante, assim como as sobremesas. Mas também servia comidas típicas brasileiras.
Seus pais queriam que ele se formasse em Direito, assim como suas duas irmãs mais velhas. Mas ele estava decidido.
Foi difícil no começo, porém, com dedicação e estudos, hoje seu restaurante estava famoso, sempre inovando o cardápio.
Camille não esperava levar um caixote.
Assim que entrou no mar para molhar os pés e as mãos, veio uma onda e a derrubou.
Quando percebeu, estava nos braços de Martins.
— Você está bem?
— Acho que sim… mas estou cheia de areia.
Afastando-se do rapaz, muito envergonhada, foi procurar Fabiana, que estava rindo da situação dentro da água.
— Nem para me socorrer, né?
— Amiga, nem se eu fosse mais rápida!
Fabiana continuava rindo.
As duas voltaram para a areia.
— Preciso ir no chuveiro. Tenho areia no corpo inteiro — disse Camille.
— Em casa, no meu ar-condicionado, isso não teria acontecido.
— Ah, para!
Na água, André Martins observava Camille, até seu amigo cutucá-lo.
— A garota nem agradeceu por você ter segurado ela para não se afogar.
— Gostei dela.
— Martins, sabe que não tem futuro, né? Vamos embora daqui a uma semana. Nem sabemos se ela mora aqui. E mesmo que more, como seria o relacionamento de vocês?
— Isso a gente vê com o tempo. O tempo faz a parte dele, e eu faço a minha.
— Teimoso!
André apenas sorriu e saiu da água.

Capítulo 2
O convite
Kauan ainda estava na água, observando André caminhar em direção a Rafael. Ele conhecia bem o amigo. Sabia que, quando André cismava com alguma coisa, não havia quem o fizesse mudar de ideia.
Provavelmente iria pedir a opinião de Rafael, já que ele era o mais velho e, entre os três, considerado o mais experiente.
André chegou perto e falou:
— Rafa, preciso da sua opinião. Kauan me disse que é improvável, mas eu acredito que, antes de pensar que é impossível, eu devo tentar.
Rafael cruzou os braços e sorriu.
— Nem vou perguntar... já sei que é uma garota.
— Não é uma garota. É a garota. E eu sinto que essa é para a vida inteira.
Rafael começou a rir.
André ainda nem tinha conversado com ela e já estava convencido de que havia encontrado a mulher da sua vida.
— Meu amigo, sendo sincero, melhor não investir — respondeu Rafael. — Podemos convidar ela e as amigas para almoçar, depois encontrar com elas em algum bloco e...
André interrompeu:
— Quem me garante que ela seja festeira?
Rafael pensou por um instante.
— Então convida para conhecer os pontos turísticos.
André suspirou.
— Bom, se você acha que vale a pena, é com você. Mas, pela primeira vez, vou concordar com o Kauan: isso não vai dar certo. Tem a distância. Essas coisas só funcionam em filmes.
Nesse momento, Kauan saiu da água e ouviu o final da conversa.
— Eu avisei — disse ele. — Mas pensa em um cara teimoso!
Ele riu antes de continuar:
— Bom, vamos convidá-las para almoçar. Se elas não aceitarem, você desiste?
André respondeu sem hesitar:
— Desisto.
Rafael chamou o responsável pela barraca para fechar a conta do guarda-sol e das cadeiras que haviam alugado.
Depois de pagar, os três caminharam em direção às meninas.
Elas estavam lanchando quando Giulia levantou o olhar e viu Rafael se aproximando.
Ao notar o peitoral dele, acabou se engasgando com o suco.
Rafael abriu um sorriso educado.
— Meninas, desculpem incomodar. Eu e o Kauan estávamos observando vocês e gostaríamos de saber se não gostariam de almoçar com a gente.
Antes que alguém respondesse, André, um pouco sem jeito, interrompeu:
— Eu salvei a sua amiga e gostaria de convidá-la para almoçar... e tomar uma água de coco.
Camille levantou os olhos para ele.
— Já estamos lanchando — respondeu, de forma ríspida.
André não desistiu.
— Você me deve um pedido de agradecimento, senhorita.
Faby sorriu e respondeu antes que Camille falasse:
— Camille Castanha. O nome dela.
Helena aproveitou a situação.
— A gente aceita, né, meninas? É só um almoço... Mas, como vocês estão convidando, vocês que pagam.
Disse ela enquanto guardava seu sanduíche natural.
Kauan abriu um grande sorriso, olhando diretamente para Helena.
— Claro que vamos pagar.
Para quem minutos antes dizia que a ideia de André era improvável, Kauan agora parecia completamente encantado.
Camille e Giulia ainda estavam um pouco indecisas, mas acabaram aceitando.
Já Faby e Helena estavam claramente animadas com os rapazes.
Logo começaram a caminhar juntos pela orla.
Faby e Helena foram na frente com Rafael e Kauan, conversando animadamente sobre o Rio de Janeiro, a beleza da cidade, perguntando de onde eles eram e o que faziam.
Mais atrás vinham André, Camille e Giulia.
Giulia caminhava distraída, mexendo no celular, enquanto Camille parava de vez em quando para tirar a areia dos pés.
André a observava discretamente, fingindo desinteresse.
Percebeu que Camille não demonstrava nenhum tipo de interesse por ele.
E aquilo, de alguma forma, o deixava ainda mais intrigado.
Os três estavam apenas de bermuda e não tinham levado carteira.
André havia decidido deixar as carteiras e os celulares dentro do carro no estacionamento.
Naquele momento, parecia uma decisão sem importância.
Mas, em breve, descobriria que nem sempre as escolhas mais simples são as mais fáceis de resolver.





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